Sou como aquela folha levada pelo sopro suave e sem pressa do vento.
Quero chegar à nascente do rio que serpenteia os pés dos morros para me deitar no colo verde do solo da esperança, coberto pela neblina da paz.
Devo ter surgido de um coito interrompido pela infertilidade precoce de um óvulo que, ao adquirir sua maturidade, se recusa a caminhar em parceria com as adversidades impostas pelas atuais desigualdades psicossociais de um sistema opressivo, contrário à luz de cada ser preparado para brilhar em terra firme.
Enquanto desperto de meu sono, nesta nova manhã, me pergunto baixinho: Onde estão as flores presenteadas nas janelas das namoradas, enquanto as donzelas coram de vergonha ao sentir a presença do amor chamando para a festa do abraço?
Acho que está faltando o despertar da aurora, sim, aquela nuvem azul nos olhos dos seresteiros em serenatas demoradas, até se apagarem os últimos tições de uma fogueira acesa aos pés de amantes envaidecidos com a chegada de um novo dia.
Dizem que fui gerada pela rápida passagem de um meteoro e, numa breve estada pelas correntes do tempo, fixei em um breve instante segundos de pausas para depois seguir caminho, desbravando as ruas de mundos e atitudes ainda a serem mapeados.


