Me enjaularam num pequeno quarto e, com jeito protetor e dissimulado, colocaram vendas de inverdades num rosto adolescente e repleto de sonhos.
Cresci observando, através de uma fresta de uma pequena janela, um ipê livre e solto e, em meio às tempestades, seu tronco ruir nos braços de relâmpagos e trovões.
Enquanto aguardava os cadeados serem abertos para que pudesse, num voo determinado, ir ao encontro de novas páginas escritas nos livros da vida.
Tinha um grande anseio: iniciar minha trajetória dentro de uma das mais profundas realidades, a neutralidade.
Ao bater de frente com meu próximo e encará-lo como o rio mais puro e transparente, saberia, sem nenhuma dúvida, que estaria diante de uma das maiores maravilhas dispostas no solo terreno, para estudar as suas mais surpreendentes fases comportamentais de todos os tempos.
Não poderei, nem desperdiçarei, segundos com aqueles que, num surto de irracionalidade, tentem se destacar numa postura de anjos descaídos.
Cresci tendo uma biblioteca no colo e nas paredes de meu quarto reflexos de grandes avenidas, palco preparado para a escrita de novas histórias.
Tenho um propósito: iniciar inúmeras narrativas, sempre nas leituras pausadas e conscientes daqueles que tocarem de leve minhas vestes e pedirem para entrar.
Sentaremos juntos, como fazem as manhãs em dias ensolarados, e colheremos os frutos do conhecimento mútuos, onde certamente aguardaremos a presença da paz.


