De repente, senti uma febre que não provinha de meu corpo, mas principalmente da terra.
Uma necessidade extrema de mergulhar em águas profundas e não poluídas tomou conta de mim.
Saí pela porta e, ao contemplar o azul profundo dos céus, despi-me por completo e mergulhei nas profundezas do oceano das poesias.
Sentei-me pacificamente no solo festivo, compartilhando pensamentos profundos com algas marinhas e peixes coloridos que foram transformados pela metamorfose salgada do piso das ideias e segredos dos poetas.
Mergulhei nos mananciais onde nem sempre se pode chegar, a menos que se cultive a pureza da caneta sobre o papel em branco, pronta para se lançar nos infinitos de cada ser.
É nessas páginas escritas em branco que perpetuo minhas nascentes, fazendo a alegria das vozes que surgem em forma de diamantes nas inspirações daqueles que são criados para amar.
Às vezes, nos confundem como miragens, iluminando a escuridão de uma praça, traduzidas no canto solitário de um pássaro noturno.
Outros percebem que somos o infinito, e essa tradução se veste de mistério, anonimando uma prece a ser recitada no calor de um beijo.
Nossos passos percorrem o apelo de festa, derrubando as barreiras dos sentimentos encarcerados nas colunas sociais.
Acho que esse calor de escritor me envolveu completamente, e agora retornei à superfície com um travesseiro de areia. Acho que passarei a noite na vastidão da praia.


