Não desejo, nem devo, olhar friamente para a nascente que secou um dia, pois sei que amanhã surgirão cachoeiras que criarão as mais belas e profundas quedas, serpenteando por matas e rios.
Não me peçam para ignorar os lamentos daqueles que desacreditam na existência da ternura, que permanece indecifrável e infinitamente pura no rosto de uma criança, pois vou cair de joelhos diante de suas verdades.
Por favor, não insistam em distrair meus sentidos com promessas de paz antecipadas e rezando com um rosário, pois aprendi a correr livremente pelas praias e campos, ouvindo as orações dos passarinhos e as melodias suaves, despojando-me ao sabor do vento para abraçar a identidade de um ser disperso e solto, como as correntes de ar em constante movimento.
Não venham me acordar para uma jornada cujo objetivo não inclui uma pausa para um sorriso sob a chuva, pois, ao alcançar o fim da estrada, estarei imersa em uma poça deixada pelo rugir de uma tempestade, depois de um espetáculo de relâmpagos em seu namoro noturno.
Eu sou um pouco dessa força que se desmistifica por meio de reflexões e pensamentos, caminhando lado a lado com as descobertas e transformando-se gradualmente em um raio de sol que repousa sobre o mar.


