A noite desce seu véu sobre as últimas pegadas do dia que se foi.
Paro em uma página reflexiva, mais uma etapa que ninguém questionou o motivo do meu silêncio.
Retiro-me, buscando abrigo com passos apressados entre as árvores do meu parque interior. Aninho-me em seu abraço, entre suas folhas, e encontro descanso no repouso dos pássaros.
É um momento de prece e nostalgia.
Busco a calada da noite para escrever no caderno das estrelas um soneto apaixonado e, em sussurros determinantes, brindo à vida.
Vagarei após o crepúsculo como fazem os andarilhos-vagalume, pousando na tranquilidade das matas.
Vestirei a roupa sagrada da inspiração e, em um momento de perplexidade e mutação, me tornarei apenas um elemento viajando por todas as esferas que circundam os céus, a terra e o mar.
É hora de iniciar mais um período de sonhos, poesia e descansar na paz do luar. Boa noite!


