Outra vez me rendo num silencioso parque, onde tomo um banho refrescante de folhas e ventos.
Sei que tenho segredos onde não posso revelar.
Deve ser esse outono de criança e travessuras, onde bem pertinho me tenta tomar nos braços e me levar ao fundo do quintal, onde se acende uma fogueira determinante entre minha infância e tudo que escrevi nas páginas de uma adolescência muitas vezes questionável.
Estou ainda a observar a quietude calada das pequenas pedras acumuladas aos meus pés, que me observam e se calam diante de tamanhas especulações.
Outono, por favor, me explica o porquê dessa febre desesperada de um poeta que busca em noites frias as profundezas escondidas em cavernas entre os sentimentos e abstrações dos seres humanos.
Queria poder navegar em águas mansas, onde conduziria meu bote cheio de ar da vida apenas com o combustível do amor, pausando em praias amenas como um beijo suave de enamorados.