Me encontro frente a frente com um dos maiores líderes mundiais.
Da janela de meu prédio, erguido entre flores e capim, me debruço em atitude de consternação, pesar e certamente repúdio.
Sinto-me impotente para frear, de uma vez por todas, essa marcha sangrenta das nações em guerra e derramamento de sangue.
Enquanto me preparo para mais uma escrita, na qual deixarei registrada mais uma receita de paz, observo a sede voraz da terra que, de boca aberta, grita pela absorção de corpos inocentes e totalmente inculpes, nos colos dos abandonados, implorando por peitos secos que já não têm nem mães nem o alimento nutricional da vida.
Na Casa Branca do poder, ergue-se envolto em bandeiras fétidas e descaracterizadas um comando fantasiado de justiça, quando a ordem é para matar, numa escalada sem pausas ou tréguas.
Ainda temos a sagrada oportunidade de sentir o amanhecer e ver sobre nossas mesas um cafezinho regado com o barulhinho da chuva e o sorriso inocente de nosso filho aconchegado no seio protetor de um lar.
Ao acionar o controle da TV, o retrato desolador do anjo da morte desferindo do alto sua flecha de veneno e terror por esquinas e ruas russas.
Me pergunto de onde surgiu esse monstro, um simples homem que, aos poucos, descerá ao chão carbonizado de pólvora e coberto pelos restos dos corpos espalhados pela inconsequência do desmando.
A história prossegue, não podemos deter a ordem inversa das coisas, mas podemos iniciar uma jornada de princípios e causas menos dolorosas.


