Algo bastante inusitado chamou minha atenção nesta manhã chuvosa, quando os sonhos de um poeta solitário desejavam permanecer um pouco mais quietos.
Ao longe, desfilavam dois personagens deste evento: um passarinho quase despenado, perambulando pelo jardim em busca de alimento, e logo depois, um cadeirante deixado à margem de uma sociedade em busca de mãos para ajudá-lo a se erguer de sua condição desprovida de asas para decolar do chão.
Por alguns segundos, fez-se um palco diante de um esplendoroso espaço entre a vida presente e a maior plateia.
E antes que as luzes se apagassem, os dois se encontraram e, em uma sagrada e suprema celebração de amor e companheirismo, vi-me de pé, com meu passarinho renovado em sua plumagem, conduzindo-me pelas alturas inalcançáveis!


