As primeiras chamas de uns reflexos aparecem mansamente na parede do meu quarto.
Acho que tem alguém muito abstrato e de difícil acesso tentando deixar um recado.
Percebo que não mostra seu rosto nem seu corpo e me estende um suave véu do seu amor, cobrindo-me de luz e risos.
Presenteia-me com uma manhã repleta de sol e liberdade, para me transformar num pássaro buscando a superfície dos mares que deságuam nas mais cristalinas fontes, perpetuando a proliferação das espécies.
É o grito calado das noites, pedindo à lua que fique só mais um pouco, a fim de aguardar o esplendoroso e imponente alvorecer de um novo dia.


