Silêncio

Silêncio

Hoje muito cedo vieram acordar-me de um período de intensa e silenciosa meditação.

Assustei-me diante de tão constante apelo, pois estava em uma leitura profunda e, de certo modo, tranquila, como as ondas livres de ventos no entardecer.

Ainda com folhas caídas sobre o colo, finalizava mais um capítulo de uma estação que aos poucos entregava à primavera sua roupa nova.

Estava sob uma árvore frondosa, onde durante o inverno abrigava, no frescor de sua juventude, os voadores num festival de doces parcerias, num único e exclusivo ato de renovação e vida.

Perguntava-me baixinho: Sou, por acaso, uma rara partícula presa ao solo por algum tempo? Ou uma mudança brusca e inesperada solta no ar?

Amanhã, certamente, voltarei aqui e num sussurro poético afirmarei: sou um poeta, e isso vale a vida.

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