Amanhece e de modo calmo e silencioso, procuro nas entrelinhas de algumas páginas já escritas por alguns humanos algo que justifique esses punhos fechados.
Contemplo um rosto de homem bebendo na imensidão de um rosto perdido entre o desejo de liberdade que se perdeu, subjugando tudo aquilo de nobreza ao ser vivido, trazendo no seu contexto de vida a legitimidade de um cidadão.
Ao vê-lo com punhos fechados e seu grito determinado a romper essas algemas impostas pela derme branca e ante a paz, reconheço que esse eco perdurará além-fronteira e quase ninguém o presenteará com a corrida para tua meta.
Solte teus braços e perceba no interior de teu ser a velocidade de um guerreiro com marcas de gigante, abrace o universo inteiro com a certeza de que a força de um homem negro não divide nem separa, mas soma todas as vitórias!
Quisera poder voar como faz a gazela nas noites frias e tempestuosas nas varandas das senzalas e ao amanhecer descobrir que não mais somos diferentes, e sim todos irmãos a brindar no mesmo copo e, como crianças desvinculados de sujos rótulos sociais, dizer:
À felicidade! Somos todos iguais!


