Tenho Pouco Tempo

Tenho Pouco Tempo

Tenho apenas um curto período de tempo para não me deixar levar pelas atrocidades do comportamento humano.

Preciso poder, mesmo que em meio a uma racionalidade negligente, falar ao meu irmão sobre a necessidade de se aproximar sem temer o contágio avassalador do vírus da desigualdade, que se espalha a partir do martelo do patronato servindo suas iguarias na Casa Branca do poder.

Tenho um tempo limitado para sussurrar no ouvido do meu amigo, aquele que compartilha das minhas verdades, e permitir uma partilha de confidências.

Caminharei pelos hemisférios paralelos dos famintos por pão e amor nas calçadas frias do cotidiano, entoando uma melodia única que revela a simplicidade da vida.

Não sei se haverá um amanhã, ou mesmo se terei a certeza de que algumas palavras que lancei em direção àqueles que nunca verei pessoalmente chegarão aos corações como gotas de chuva ou o calor de um beijo sob o sol da manhã.

Estas palavras soltas ao vento têm forma e as cores da esperança, asas para voar até os espaços permitidos por aqueles que, em suas varandas, aguardam a chegada de mais uma página poética para ser degustada junto com o chá da tarde.

Neste espaço limitado por uma existência breve, devo confessar: Me foi concedido estar com vocês antes de me transformar em um último raio de sol sobre o mar.

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