Outro entardecer se aproxima suavemente em meu refúgio, entre as paredes de uma edificação com torres imponentes.
Às vezes, desço com os cabelos longos e negros, como tranças, para observar os passos lentos daqueles que dependem de pão e vinho.
À medida que a noite cai sobre a pequena igrejinha no alto da colina ali perto, recordo meus primeiros passos de criança, quando ia rezar o Pai Nosso no catecismo da paz.
Naquela época, eu não compreendia que nada tinha a ver com a inverdade, incapaz de derrubar os sonhos de uma adolescente no baile de formatura.
Enquanto observo a estrada da minha própria vida, compreendo o quanto percorri em busca de capítulos inteiros lidos em noites de inverno, apenas para traduzi-los em roteiros do meu próprio filme.
Aqui, agora, não consigo mais sentir meus pés seguros neste templo de velas e bancos vazios.
Não desejo, mais uma vez, retirar os sapatos para sentir os mesmos tapetes vermelhos na entrada, onde os valores são distorcidos e os ideais do próximo apodrecem.
Prefiro buscar, após essa pauta, um novo campo de fontes termais, onde caminharei de mãos dadas com a tranquilidade de um renascimento.


