De repente, fui interpelada por gritos enraivecidos e descontrolados.
Rostos inquietos, alimentados por insultos impacientes, questionavam minha profunda paz interior diante dos constantes cenários de guerra e eventos devastadores que afetam vidas, esperanças e histórias.
Existem situações adversas em que palavras e opiniões não fazem diferença.
São momentos vividos nas entrelinhas abertas pelo tempo de cada um, onde não podemos interferir devido à singularidade que cada um necessita para escrever sua própria história.
Essa serenidade que emana do âmago de cada janela aberta, no cantinho secreto de nossas almas, é resultado dos ventos suaves de cada amanhecer, voltados para o cultivo do amor.
Ela surge mornamente dos banhos tomados diante da mais profunda nudez, acariciados pelas mãos da lua.
Se não podemos deter os conflitos e secar os rios de sangue que correm pelas fronteiras, que possamos ensinar, pouco a pouco, a lição dos pássaros em voo e das flores que desabrocham nas encostas dos morros.
Na nossa interioridade, tornamo-nos mais humanos e solidários.
Acho que devo continuar a caminhar, sentindo que tudo que me cerca é uma grande e única poesia!


