O Primeiro Amor

O Primeiro Amor

Ele veio bater na minha janela, deixando um eco desesperado em busca de uma parceria, misturando em taças de vinho os mais puros sentimentos, cuja interpretação abstrata só poderia ser lida no aconchego de dois corações.

Sim, ele veio, retirando as antigas algemas da solidão dos meus pulsos, libertando minhas asas para encontrar o outro, em um sagrado complemento de unificação e inteireza.

Lembro-me dos banhos de chuva em plena madrugada, nos escondendo nos corpos um do outro para um batismo de paz.

Foi o meu primeiro amor, de mãos dadas e olhares voltados para uma pureza onde, antes do beijo, havia a certeza de uma permanência ao lado de uma promessa cumprida ao longo de uma estrada interminável.

Essa chama ardente nos forçou a ficar de pé para ouvir a sentença abençoada pelo cortejo de anjos desfilando diante do nosso encontro, tão bem escrito pelas estrelas antes do amanhecer.

O amor nos presenteou com um vínculo, um espetáculo a céu aberto, e juntos faremos a festa em um casamento sem cartório ou catedral, pois já edificamos nossa cabana no maravilhoso hemisfério de todos os poetas que, assim como nós, foram destinados a amar para sempre.

Viva o amor!”

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