Estou sentada à beira da minha própria estrada. Carros e passos apressados, em seu frenesi desesperado, têm pressa de chegar a um destino sem volta.
Calma, com um caderninho de anotações em mãos, registro minuciosamente suas frequências cardíacas, na esperança de encontrar vestígios de esperança nas trajetórias, caso haja uma ressurreição.
Pouco a pouco, mapeio com precisão os quilômetros percorridos pelos momentos vividos por mim, buscando alcançar o próximo porto.
No cronômetro da eternidade, mal atingimos um único dia de vida, e, com nossas bolsas vazias, não podemos supri-las, dada a nossa condição de residentes forasteiros.
Caminho pelas ruas e vielas, pintando rapidamente em telas vazias rostos e pensamentos colhidos nos olhares do mundo.
Talvez faça uma pausa em uma praça para descansar em uma cama de capim, forrada com feno, e, mais uma vez, reveja a minha própria retrospectiva.


