Cheguei em casa com algo que me deixou profundamente pensativa, após uma conversa sincera com um senhor idoso que, sentado solitário em um banco, observava com olhar pensativo uma edição repleta de ilustrações.
À medida que, inadvertidamente, me aproximo dos meus planos, perguntei se poderia me sentar ao seu lado.
Acomodei-me de maneira ordeira e tranquila, observando que o senhor se concentrava em uma foto: uma mala vazia.
Seu olhar distante estava repleto de grandes interrogações quando ele me olhou diretamente e perguntou: ‘Como está a sua bagagem?’
Respirei fundo após essa experiência única no trajeto que faço na carruagem veloz e ágil chamada vida.
Preciso considerar esse aviso e, em uma chamada emergencial, ajustar minhas prioridades.
Devo examinar com consciência o lugar em que ficarei nesta estação.
Vou arremessar muitas páginas de um livro guardado a sete chaves para um momento de glória.
Lançarei pétalas das flores no colo dos passageiros para enfeitar e perfumar minha escrivaninha, no silêncio do meu próximo poema!
Não esperarei que o amanhã seja uma opção de futuro, e não deixarei com que a mochila fique pesada demais, impedindo-me de ser livre no exercício do amor.
Quando caminhar novamente pelo mesmo passeio, talvez não reveja mais os cabelos brancos daquele anjo de luz. Saberei, então, ler verdadeiramente o livro sábio dos dias antigos!”


